domingo, 7 de agosto de 2011

Simples de Coração


Eiê blog (e pessoas que leem o blog), nosso querido blog mudou de nome, mais uma vez. Afinal assim como o Manuel Bandeira “Quero a delicia de poder sentir as coisas mais simples”

Hoje ele não é mais Nem tão simples assim, ele é Simples de coração, pois é, mudança drástica.
Resolvi mudar porque acho que eu fazia questão de ser uma pessoa difícil e complicada. Gostava de ser decifrada e achava o máximo que as pessoas demandassem tempo nas minhas coisas. Eu sei, coisa de gente idiota. Muitas vezes isso está muito claro em mim mas eu decidi que eu não quero mais ser assim não, não quero que isso me defina, esteja estampado na minha cara. 

Escutando as canções do Gessinger – contando brevemente minha relação com ele: gostava do CD Novo Millenium, depois todo mundo gostava e eu não gostava mais, típico meu, então eu não quis nem gostar dele; ano passado voltei a ouvir algumas músicas em respeito a uma amiga ;), depois soube que ele gosta do Sartre também *-*, e por fim, o Leo me disse que tinha uma música que parecia comigo, mas não me disse qual, então fiquei curiosa e comecei a ouvir várias, no fim, a música que era minha cara, eu ‘já sabia’ que era minha cara; fim. – eu me apaixonei por Simples de Coração quando ele disse: “Já perdemos muito tempo brincando de perfeição. Esquecemos o que somos: simples de coração”. 

Realmente resolvi pensar sobre, quis tentar ser mais simples nessa nova fase – apesar de quase sempre ter a impressão de estar colocando os pés pelas mãos –, estou querendo aproveitar o que a vida tem de melhor, aproveitar as oportunidades e aos poucos vencer o que se tornou comum pra mim: misantropia, desapego, sentimentalismo, “necessidade de adulamento”, e todas essas coisas que quem me conhece que não me compre :P - todo mundo sabe que eu sou rainha do #mimimi -

Nessa nova fase, eu, uma ex-simples-pelega da procura pela perfeição - grande ditadora das atitudes - abro mão desse lance todo. Eu que já abri mão de um monte de coisa que fazia parte do meu sistema de valores, já quebrei promessas a mim mesma, já escolhi minha primeira tatuagem, já fiz o que eu disse que não faria mais, já pensei sobre vontades, curiosidades e sobre o que a sociedade diz de tudo isso. 

Eu resolvi aproveitar, ser simples. Amar enquanto durar, aproveitar enquanto tenho, ler o que é da vontade, e abraçar de vez o lance do Oscar Wilde: “Adoro as coisas simples. Elas são o último refúgio de um espírito complexo.” 

Vem meu ultimo recurso, me domine e não me deixe mais se perder nessa complexidade que se confunde com intensidade e só vem me deixar assim, tão cheia e vazia de coisas. Que seja como Einstein disse: Tudo se torne o mais simples possível, mas não simplificado.



segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Sugestões para atravessar Agosto

"Para atravessar agosto é preciso antes de mais nada paciência e .
Paciência para cruzar os dias sem se deixar esmagar por eles, mesmo que nada aconteça de mau; para estar seguro, o tempo todo, que chegará setembro e também certa "não-fé", para não ligar a mínima às negras lendas deste mês de cachorro louco. 
É preciso quem sabe ficar-se distraído, inconsciente de que é agosto, e só lembrar disso no momento de, por exemplo, assinar um cheque e precisar da data. Então dizer mentalmente ah!, escrever tanto de tanto de dois mil e tanto e ir em frente. Este é um ponto importante: ir, sobretudo, em frente.
Para atravessar agosto também é necessário reaprender a dormir. Dormir muito, com gosto, sem comprimidos, de preferência também sem sonhos. São incontroláveis os sonhos de agosto: se bons deixam a vontade impossível de morar neles; se maus, fica a suspeita de sinistros augúrios, premonições.
Armazenar víveres, como às vésperas de um furacão anunciado, mas víveres espirituais, intelectuais, e sem muito critério de qualidade. Muitos vídeos, de documentários históricos a piadas; muitos CDs, de Mozart a Roberta Miranda; muitos livros, de Nietzsche a Sidney Sheldon. Controle remoto na mão e dezenas de canais a cabo ajudam bem: qualquer problema, real ou não, dê um zap na telinha e filosoficamente considere, vagamente onipotente que isso também passará. Zaps mentais, emocionais, psicológicos, não só eletrônicos, são fundamentais para atravessar agostos.
Claro que falo em agostos burgueses, de médio ou alto poder aquisitivo. Não me critiquem por isso, angústias agostianas são mesmo coisa de gente assim, meio fresca que nem nós. Para quem pega ônibus lotado de subúrbio às cinco da manhã todo dia, pouca diferença faz abril, dezembro ou, justamente, agosto. Angústia agostiana é coisa cultural, sim. E econômica. Mas pobres ou ricos, há conselhos ou precauções — úteis a todos. O mais difícil: evitar a cara de gente com Sarney, Fernando Henrique Cardoso, Antônio Palocci em foto ou vídeo... Esquecê-los tão completamente quanto possível (santo zap!).
Para atravessar agosto ter um amor seria importante, mas se você não conseguiu, se a vida não deu, ou ele partiu — sem o menor pudor, invente um. Pode ser Aline Moraes, Asthon Kutchen, Angelina Jolie, Capitão Jack Sparrow, o carteiro, a caixa do banco, o seu dentista. Remoto ou acessível, que você possa pensar nesse amor nas noites de agosto, viajar por ilhas do Pacífico Sul, Grécia, Cancún, ou Miami, ao gosto do freguês. Que se possa sonhar, isso é que conta, com mãos dadas, suspiros, juras, projetos, abraços no convés à luz da lua cheia, brilhos na costa ao longe. E beijos, muitos. Bem molhados.
Não lembrar dos que se foram, não desejar o que não se tem e talvez nem se terá, não discutir, nem vingar-se ou lamuriar-se, e temperar tudo isso com chás, de preferência ingleses, cristais de gengibre, gotas de codeína, se a barra pesar, vinhos, conhaques — tudo isso ajuda a atravessar agosto.
Controlar o excesso de informação para que as desgraças sociais ou pessoais não dêem a impressão de serem maiores do que são. Esquecer a guerra, o bullying, passar por cima das páginas policiais. Aprender decoração, jardinagem, andar de patins, a arte das bandejas de asas de borboletas — coisas assim são eficientíssimas, pouco me importa ser acusado de alienação. É isso mesmo; evasão, escapismo assumidos, explícitos.
Mas para atravessar agosto, pensei agora, é preciso principalmente não se deter demais no tema. Mudar de assunto digitar rápido o ponto final."

Caio Fernando Abreu [adaptado]

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